O retrato da educação em Portugal: crescimento, diversidade e desafios territoriais

Portugal tinha, no ano letivo de 2024/2025, 2.078.116 alunos inscritos no sistema educativo, mais 9.326 do que no ano anterior. Segundo dados da Direção Geral de Estatísticas de Educação e trabalhados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o crescimento do número de alunos entre os anos letivos 2014/15 e 2024/25, este crescimento resulta sobretudo do […]
14 de Setembro, 2026

Portugal tinha, no ano letivo de 2024/2025, 2.078.116 alunos inscritos no sistema educativo, mais 9.326 do que no ano anterior. Segundo dados da Direção Geral de Estatísticas de Educação e trabalhados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o crescimento do número de alunos entre os anos letivos 2014/15 e 2024/25, este crescimento resulta sobretudo do aumento de cerca de 9 mil alunos no 1º ciclo do ensino básico e de quase 8 mil no ensino superior, havendo decréscimos nos restantes ciclos. Esta tendência de crescimento contraria a tendência demográfica associada à redução da natalidade, resultando sobretudo da entrada de estudantes estrangeiros no nosso sistema educativo. De facto, a composição da população escolar alterou-se significativamente: no ensino pré-escolar, básico e secundário, e superior, estando identificados 206.011 alunos com um ou ambos os pais de nacionalidade estrangeira em 2023/2024. Em 2020/21 existiam cerca de 130.727 alunos filhos de pais de nacionalidade estrangeira, o que significa, entre 2020/21 e 2023/24, o número cresceu cerca de 58%.

Considerando apenas a escolaridade obrigatória, do 1.º ao 12.º ano, o número de alunos diminuiu cerca de 7% na última década, passando de 1.376.343 em 2014/2015 para 1.281.183 em 2024/2025.
Esta evolução contrasta com o crescimento do ensino superior, que ultrapassou os 456 mil estudantes em 2024/2025, mais 30% do que há dez anos. Também aqui a presença de estudantes estrangeiros no ensino superior tem vindo a crescer a um ritmo estável de mais 4 mil alunos ao ano, em média. Nos últimos 15 anos, o número de estudantes estrangeiros quadruplicou, passando de 20 mil para 80 mil alunos, no ano letivo de 2024/2025. O crescimento é mais expressivo nos mestrados integrados, onde o número de alunos estrangeiros aumentou 7 vezes, passando de 3.282 alunos em 2010 para 22.523 em 2025, contribuindo para uma população académica mais diversificada e internacionalizada.

Em Portugal, o número de novos inscritos no ensino superior em áreas STEM (acrónimo em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) tem vindo a crescer em número e em proporção. Na comparação há 10 anos, houve um acréscimo de quase mais 10 mil alunos (um aumento de 57%, de 17.304 para 27.193)

As assimetrias territoriais continuam a marcar os percursos educativos. No ensino secundário, os dados evidenciam diferenças significativas nas taxas de conclusão no tempo previsto. Entre os alunos que iniciaram, em 2020/2021, um curso humanístico numa escola pública, 81% concluíram-no três anos depois no Norte, face a 67% na Grande Lisboa. Importa salientar que, nos cursos profissionais, as regiões apoiadas pelo PESSOAS2030, apresentam melhores resultados que o resto do país: a taxa de conclusão atingiu 75% no Norte, 74 % do Centro e 73 % no Alentejo, enquanto na Grande Lisboa ficou pelos 59%, Península de Setúbal 60% e Algarve se situou nos 56%.

No ensino superior, o crescimento da participação é acompanhado por desafios relacionados com a permanência e conclusão dos estudos. Apenas 51% dos estudantes de licenciatura concluem o curso no tempo previsto e, mesmo acrescentando três anos ao período esperado, a taxa de conclusão chega a 66%.

Este retrato evidencia um sistema educativo em transformação, marcado pela evolução demográfica, pela crescente diversidade da população escolar e por desafios que atravessam todo o percurso educativo e formativo, desde o acesso e o sucesso escolar, à qualificação e à transição para o mercado de trabalho. Neste contexto, o investimento em educação e formação assume um papel estratégico na promoção da igualdade de oportunidades, no reforço das competências e da empregabilidade e na construção de respostas mais inclusivas e ajustadas às diferentes realidades territoriais e às necessidades de uma sociedade e de uma economia em mudança.

É neste quadro que se inscreve a intervenção do PESSOAS 2030, através do apoio a medidas dirigidas à promoção do sucesso educativo, à inclusão, à qualificação e requalificação da população e ao reforço das competências dos profissionais de educação e formação. O investimento do Fundo Social Europeu Mais, através do PESSOAS 2030, contribui para criar condições que favoreçam percursos educativos e formativos mais inclusivos, qualificantes e ajustados às necessidades dos diferentes territórios e das pessoas.

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